É muito ruim a sensação de precisar ficar fora de casa, como agora, no caso da obra no meu apê. Mas acho que aguento mais uma semana para ter, pelo menos, o meu quarto de volta. Pelo resto do espaço habitável acho que ainda vou ter que esperar, no mínimo, duas semanas além desta.
No caminho para cá – hoje eu vim pensando no que ia escrever e meio que tive tempo de me preparar – cheguei a uma conclusão muito triste, no que diz respeito a esse assunto: na verdade, não vou ter que esperar só mais uma semana para poder voltar para casa. Porque casa, de verdade, eu não tenho. Sou dona de um imóvel bacaninha, mas casa é onde a gente se sente feliz, amado, acolhido, em paz. Como me sentir assim se, tirando o Bolt, estou sozinha? Não posso voltar para o meu lar porque não tenho um e, se ainda quiser ter nesta vida, preciso começar tudo de novo. Jorge foi minha família nos últimos dois anos e meio mas, sem que eu pudesse controlar os acontecimentos, de repente tudo isso desapareceu no ar, como se nunca tivesse existido. Posso em breve ter para onde, mas não tenho para o quê voltar.




