Faz uns dias que contei aqui sobre o livro que ganhei do meu amigo Thássius, A Viagem de Théo. Prometi que comentaria qualquer coisa que me chamasse a atenção. Já estou na página 150 e ele tem pouco mais de 600. É bem escrito, o que torna a leitura agradável. Mas o que me chamou a atenção não foi nada de religioso especificamente, nenhuma informação sobre os credos, uma vez que algumas eu já conhecia. Não foi nenhuma passagem divina, foi uma passagem muito humana.
Em Jerusalém, primeira parada do garoto (que tem uma doença incurável) com sua tia, eles fazem alguns roteiros com representantes das três religiões para quem a cidade é sagrada: um judeu ortodoxo, um católico e um muçulmano. Uma noite, depois de muita falação por parte de todos, o garoto está em sua cama, com a cabeça fervilhando e tentando entender por que é que esses povos não chegam a um acordo, apesar de tanta coisa boa em comum, quando aparece o sheik e ele já ia começar a bombardeá-lo com perguntas. O homem diz a ele para parar de perguntar, para se acalmar, para fechar os olhos, coloca a mão aberta sobre o peito do menino, que imediatamente sente um calor que percorre até as costas, relaxa e instantaneamente adormece. Isso logo depois de confirmar que sempre custa a dormir. O religioso faz uma coisa simples, mas necessária: o induz a parar de pensar e passar a sentir, ao mesmo tempo que lhe dá conforto físico, afetivo e espiritual.
Está faltando isso no mundo. Na vida das pessoas. Na minha, pelo menos.



