Dando um retorno

Faz uns dias que contei aqui sobre o livro que ganhei do meu amigo Thássius, A Viagem de Théo. Prometi que comentaria qualquer coisa que me chamasse a atenção. Já estou na página 150 e ele tem pouco mais de 600. É bem escrito, o que torna a leitura agradável. Mas o que me chamou a atenção não foi nada de religioso especificamente, nenhuma informação sobre os credos, uma vez que algumas eu já conhecia. Não foi nenhuma passagem divina, foi uma passagem muito humana.

Em Jerusalém, primeira parada do garoto (que tem uma doença incurável) com sua tia, eles fazem alguns roteiros com representantes das três religiões para quem a cidade é sagrada: um judeu ortodoxo, um católico e um muçulmano. Uma noite, depois de muita falação por parte de todos, o garoto está em sua cama, com a cabeça fervilhando e tentando entender por que é que esses povos não chegam a um acordo, apesar de tanta coisa boa em comum, quando aparece o sheik e ele já ia começar a bombardeá-lo com perguntas. O homem diz a ele para parar de perguntar, para se acalmar, para fechar os olhos, coloca a mão aberta sobre o peito do menino, que imediatamente sente um calor que percorre até as costas, relaxa e instantaneamente adormece. Isso logo depois de confirmar que sempre custa a dormir. O religioso faz uma coisa simples, mas necessária: o induz a parar de pensar e passar a sentir, ao mesmo tempo que lhe dá conforto físico, afetivo e espiritual.

Está faltando isso no mundo. Na vida das pessoas. Na minha, pelo menos.

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De novo presa no elevador

Talvez não haja post amanhã, porque quase não houve hoje, porque a Velox continua pisando na bola. Deixa pra lá.

Acho que vocês vão achar bem mais interessante o relato de como fiquei presa num elevador aqui do prédio em que moro ontem à tarde, o de serviço. Há uns 20 anos, aconteceu no prédio da Coca-Cola, em que eu prestava um serviço temporário, mas o elevador estava cheio. Ontem éramos apenas o Bô debaixo do meu braço, eu e Deus.

As normas do condomínio só permitem o trânsito de animais por aquela lata velha. Os dois elevadores sociais começaram recentemente a ser reformados e, assim, havia um técnico por perto. Apesar disso, e de haver no momento dois faxineiros e um porteiro de serviço, eu fiquei bem uns 15 minutos lá.

Quando entrei na cabine, tinha uma senhora que ia para o décimo segundo (e último) andar, ela até brincou e beijou o Bolt. Quando saltou, a porta pantográfica fechou muito torta e a máquina enlouqueceu: ficava subindo e descendo conosco até o subsolo ininterruptamente, sem atender ao comando de qualquer botão, inclusive o de alarme e o de emergência.

Lá pelas tantas, consegui fazer ele parar no quarto andar e a vizinha em frente ouviu meus gritos. Eu devia estar muito branca, porque ela lamentou não ter como me dar um copo d’água (!). Foi até sua casa e, de lá, interfonou para o porteiro. Aí a luz apagou sozinha e depois voltou. Aí ele começou a funcionar sozinho de novo, indo e voltando o percurso completo. De vez em quando, eu abanava os braços para a câmera, na esperança de que alguém estranhasse as imagens no vídeo que fica na portaria, mas ninguém repara naquela merda.

Um tempo depois, o elevador parou no terceiro andar e o técnico, um idiota, abriu a porta de madeira, depois a pantográfica, depois se arriou no chão aos meus pés e, com uma chave de fenda, se pôs a aparafusar não sei o quê, de maneira que eu não conseguia sair de lá de dentro. E TUDO O QUE EU QUERIA ERA SAIR DE LÁ DE DENTRO!!! Aí eu falei: por favor, sai da minha frente que eu quero sair. E ele repetiu a única frase que sabia dizer: calma, minha senhora.

Não fiz um segundo pedido. Simplesmente saí empurrando todo o bolo de gente que se aglomerava na minha frente – faxineiros, vizinhos, o técnico – e desci as escadas, não sei com que perna. Avisei o porteiro aos gritos de que agora eu só ia andar num dos elevadores sociais, até ter certeza de que a geringonça, o elevador que está em pior estado, seja realmente reformado, e se algum vizinho reclamar por causa do cachorro que vá se danar.

Eu tinha consulta com a terapeuta, mas antes de sair fui à casa da síndica, que admitiu ter sido grave a situação, e inclusive me pôs para falar pelo telefone com o responsável pela empresa que faz a reforma e manutenção nos elevadores. Não sei o que isso vai adiantar. Mas que senti um certo medo de morrer, lá isso eu senti. Pelo menos, eu ia bem acompanhada pelo meu melhor amigo.

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Torta de limão

Essa torta rende bastante e fica muito gostosa, experimentem. Ingredientes da massa: 3 xícaras de chá de farinha de trigo, 200 g de manteiga, 2 gemas. Do recheio: 1 lata de leite condensado, 4 gemas e meia xícara de chá de suco de limão. Da cobertura: 4 claras e 8 colheres de sopa de açúcar. Misture a farinha, a manteiga e as gemas até obter uma massa lisa. Leve à geladeira por 10 minutos. Forre o fundo e as laterais de uma forma desmontável média e leve ao forno por 25 minutos. Bata no liquidificador o leite condensado, as gemas e o suco de limão. Despeje sobre a massa pronta. Bata as claras em neve, acrescente o açúcar e bata até ficar bem firme. Espalhe sobre o recheio formando picos e leve ao forno até o suspiro dourar, por cerca de 15 minutos. Sirva frio.

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Incomunicável

Queridos,

como informado, desde sexta passada ando às turras com a Velox. Na quarta esteve um técnico lá em casa mas ele não conseguiu resolver o problema de conexão. Deve voltar hoje à tarde. Sendo assim, posto aqui apenas uma satisfação para quem acompanha o QS. Voltaremos, assim que a Oi cumprir sua parte. Espero que vocês estejam ótimos e animados para o feriadão. Saludos!

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Dificulidades

Primeiro foi mais meia hora reorganizando e reconfigurando o danado do modem, felizmente desta vez com um ser humano do outro lado da linha, para conseguir conexão e navegação. Agora é o Bolt, que em vez de esperar pacientemente eu cuidar da minha vida virtual dá um ganido de 5 em 5 minutos porque quer ir pra rua passear. Eu mereço…

Não tem como eu me concentrar com ele me fungando o braço aqui do lado. Às vezes, arrisca uma patada no teclado, como quem desejasse desligar o computador. Outro dia, com ciúme da tv a cabo, ele tirou do canal com um pisão no controle remoto e eu sofri para conseguir assistir à tv de novo. Pena que não tenho como por o som aqui, vocês iam ver a barra que enfrento, latidos e choramingos. Alguém tá interessado neste poodle? Tô passando…

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Silêncio compulsório

Eu bem que queria ter aproveitado esses últimos três dias do fim de semana emendado com o feriado do glorioso São Jorge, que é hoje, para escrever aqui. Ideias gostosas vieram e foram embora porque fiquei sem internet. Desde ontem estive em combate quase corporal com aquelas amebas falantes com nomes estranhos que eles contratam para atender a gente no suporte telefônico. Vou poupá-los dos detalhes sórdidos e apenas informar que uma das últimas criaturas que falou comigo me disse o seguinte: “Ninguém lhe avisou que, desde sexta-feira, a Velox está em manutenção e fora de serviço em todo o estado do Rio de Janeiro????”

Preciso dizer mais alguma coisa? Alguém me mande um endereço para aulas de meditação e relaxamento.

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Receita de Bolo de Aipim

Esta receita não é daquele bolo que tem a massa meio translúcida e mais parece um pudim, que a gente encontra em barracas de doces na rua, mas sim de um outro que fica com consistência de bolo mesmo. A receita, que poucas vezes fiz, é da minha mãe e posso garantir que é muito gostosa. Saudade da comidinha dela…

Ingredientes: 1 quilo de aipim ralado cru, 1 pacote de côco ralado, 3 ovos, 100 g de margarina, 2 xícaras de açúcar, 1 xícara de farinha de trigo, 1 colher de sopa de fermento para bolo, leite a gosto. Bata os ovos, o açúcar e a margarina, depois acrescente o aipim, o côco e a farinha. Por último, o leite e o fermento. Asse em forma untada por mais ou menos 25 minutos.

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Ai, meu nariz!

Esta aqui é pra descontrair um pouco. Como vocês lerão dois textos abaixo, ontem voltei ao dentista e, novamente, ele precisou anestesiar parte da minha boca para dar continuidade a um tratamento de canal. Já sei o nome do nervo: é Jason, porque mesmo tendo sido removido há seis anos o desgramado ainda não morreu. Descobrimos isso na visita anterior e, ontem, novamente, porque numa futucada daquelas limas nas profundas do meu dente da frente – o segundo depois do grandão, lado esquerdo – a pontada foi tão forte que não emiti nenhum som, apenas pulei sentada o equivalente a meio metro da altura da cadeira.

Para minha felicidade, este dentista, diferente dos anteriores, não é um sádico, e ao menor sinal de sofrimento do paciente tenta aliviar a dor. No meu caso, ele aplicou uma anestesia que chegou até o olho e tive a impressão de que fiquei algumas horas sem poder piscar direito. Pior foi quando passou o efeito, porque até agora, passadas umas 30 horas da picada original, ainda sinto como se a agulha tivesse ficado fincada na minha gengiva nariz adentro. Caramba, está doendo muito. O dente em si não. Pode ser que, afinal, tenha morrido. Mas, tinhoso, levou consigo algum outro nervo adjacente. Doutor recomendou passar pomada antiinflamatória na gengiva. Aliviou, mas volta.

Dentes são como o diabo. Quando não vêm, mandam o secretário.

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Tremenda dificuldade

Foram uns poucos minutos a que assisti ontem à noite a um jornal da TV Cultura, mas bastou: inseriram uma imagem distribuída por agência de notícias, em que uma jovem furou o bloqueio e praticamente se atirou e sentou sobre o capô do carro aberto em que o presidente do Irã – me recuso a digitar aquela sopa de letrinhas – desfilava pelas ruas do país. Ela só queria dizer que o povo está passando fome. Um velhinho também chegou perto e reforçou o pedido de ajuda coletiva, se dizendo pensionista e afirmando que estava com fome. Gente, como aquilo me doeu. Não consigo me acostumar à ideia de que, neste exato momento, tem, sei lá quantos seres humanos, um bilhão?, fora os animais com a barriguinha roncando.

Procuro não parar para pensar nisso, porque é um ciclo do mal que não termina nunca. Eu viveria eternamente infeliz, sem jamais voltar a dar um sorriso sequer, se não tivesse me adaptado a simplesmente levar o pensamento a outra parte quando me lembro de que a fome é uma realidade, apesar de todos os avanços tecnológicos, de todas as religiões, de sermos humanos.

Mas a gente sabe bem que não foi a fome que levou Adão e Eva a perderem seu lugar no paraíso. Foi outra  aspiração – não sei se por conhecimento, sabedoria, independência, autonomia, poder, luxúria até, segundo dizem alguns – mas o certo é que ficamos condenados, com o resto da Criação, a expiar regularmente este pecado que nos faz buscar alimento – oxigênio, água e comida – a intervalos pra lá de curtos.

Se a gente parar pra pensar friamente, somos todos os seres vivos pequenas máquinas de comer e fazer cocô. Todo o resto do nosso dia serve, apenas, para garantir que essas duas funções se mantenham a contento. Que merda, hein? Num intervalo ou noutro, sonhamos com máquinas velozes, cantarolamos e até somos simpáticos com o vizinho de porta, contanto que isso não atrapalhe a ingestão, a digestão e a excreção, às quais estamos, por todo o sempre (é o fim da vida?) condenados.

Surpresas acontecem: a indigestão, a congestão, a inanição, que acometem o corpo e a alma, mas instintivamente reagimos e buscamos a cura num prato de mingau quente, numa paquera que pode até dar certo, no joelho no chão diante do altar. A paz suprema deve ser parecida com isso: sentir-se definitivamente saciado.

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Como andamos

Fiquem calmos: foram quase 3 dias sem aparecer por aqui, mas estamos bem, Bô e eu. Ele, aliás, neste exato momento me obriga a catar milho e dificulta bastante a inserção dos posts – sim, estou moralmente obrigada a escrever mais de um – porque, há uns minutinhos, começou a guinchar aqui do meu lado, e o que ele estava pedindo era um colo. Pronto, ganhou. Mas ele não gosta que eu digite enquanto está aninhado no meu braço esquerdo e, assim, deve ficar pouco, já aconteceu antes. Volta e meia me dá avisos, levantando a cabeça e encarando enfezado o monitor. Olhaí, acabou de pedir pra descer!!!

Eu até pensei em escrever ontem, mas realmente não deu. Tive que ir ao dentista (já contei que estou fazendo pela segunda vez um canal feito há uns 6 anos, existe pesadelo pior?) e depois fui encontrar uma amiga querida no Centro, onde ela trabalha, para atualizar as fofocas. Esta é mais uma ex-aluna, então você vêem que os 9 anos nas salas de aula não foram tão perdidos assim.

A casa está pedindo uma boa faxina, programada para o próximo feriadão, já que teremos a segunda que vem livre, graças a São Jorge. Tenho alguns assuntos particulares para resolver com o santo, os quais jamais revelarei aqui. Sem neuras, tudo para o bem e em nome da Verdade. Alguns bobos fazem pouco, mas Ela existe, sempre vem à tona e, um dia, reinará suprema. Mesmo para quem prefere se esconder na imobilidade ou no silêncio em vez de assumir o que pensa, o que quer e o que faz.

É como disse o Joelmir Beting, há pouco no Jornal da Band, a propósito do iminente julgamento do mensalão pelo Supremo: “Quem decide pode errar, quem não decide já errou”. Guardem essas sagradas palavras. Se puderem, usem em suas vidas.

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