Na sequência

Depois que saí daqui ontem, me dirigi a uma loja da rede de construção que diz que nada “tem segredo” – pelo menos na musiquinha do anúncio. Misteriosamente, descobri que os rodapés, que não me foram vendidos na segunda-feira junto com mais um monte de material, não precisariam ser encomendados coisa nenhuma. Havia 135 ripas de 2,40m no estoque, isso quando eu só precisava de 17. Parece que eles descobriram uma nova modalidade de lucro: ganham no frete que, de acordo com a cara do cliente, pelo menos ali, pelo que vi, pode variar entre R$ 70 e R$ 90. Alguém, por favor, chame a polícia.

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Prestação de serviços

Dentre todos os setores da economia, justamente o da prestação de serviços sempre me pareceu o mais frágil no nosso país. Nestas últimas semanas, às voltas com a reforma do apartamento, tive a oportunidade (???) de vivenciar muitas situações e receber uma alta dosagem deste tipo de veneno. Desde atrasos longos em relação a um horário agendado até a alegação da falta de material que, sim, havia em estoque, para inviabilizar uma venda, teve de tudo na minha vida esses dias. Até a tal da banheira, que depois de 50 dias não havia chegado de Sampa, e acabou vindo daqui mesmo, da Barra da Tijuca, onde esteve o tempo todo, quem sabe tomando um banhozinho de mar…

Coincidentemente ou não, um dos taxistas que me atendeu essa semana era um especialista em treinamento de atendimento ao público, lamentavelmente velho demais para o mercado, e durante toda a corrida viemos conversando a respeito. Sugeri que escrevesse um livro ou que tentasse se estabelecer como consultor.

Se até este ponto do texto você não estiver entendendo bem do que raios eu estou falando, então tente se lembrar da última vez em que precisou falar com algum atendente de telefônica, banco ou cartão de crédito pelo telefone. Daquele tipo que não sabe que não existe diferença entre fabricante e fornecedor. Aqueles pesadelos em vigília que estressam até o mais santo dos monges. E veja se, desta vez, eu não tenho um tiquinho de razão.

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Balancinho de cinema

Como não posso ficar em casa, ontem e anteontem minha saída foi ir assistir ao que anda em cartaz. Recomendo o novo do Sherlock Holmes, tem ritmo e charme. Mas As aventuras de Tintin eu poderia ter deixado passar. Creio que Spielberg deva ter algum laço afetivo com o personagem, o que justificaria o investimento para a produção do filme. O enredo é pueril e chega a ser de um anacronismo flagrante, o que faz contraponto com a tecnologia de animação utilizada. O que eu quero dizer é que a história é bobinha para a modernidade e o Tintin, de tão perfeito, me fez lembrar o chato do Mickey Mouse.

Mas me deixem confessar também minha ignorância: a vida inteira eu acreditei que Tintin fosse o cachorro (tinha outro Tintin na tv). E olha que, por vezes, é ele, sim, quem parece o protagonista. Desculpem, fãs, mas não irei assistir à continuação, insinuada na cena final.

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Adiante

Estou no mesmo cibercafé de ontem e isso significa que melhorei, graças ao Roteirista. Embora tenha dormido pouco esta noite, já deu para recarregar um pouco minha reserva de energia. Quando o cansaço bate, o coração fica sobrecarregado e é normal que ele se ressinta. Para piorar, eu esqueci que não posso e bebi um copo de Coca Cola, que contém cafeína e é danoso para quem sofre de arritmia. Mas já passou.

Ainda não chegou o meio-dia e também já consegui resolver uma pendência importante da obra lá em casa, que bom! Tudo que é positivo demanda esforço e acho que o caminho é esse mesmo. Desculpem a falta de inspiração. Quando eu já não precisar mais acessar a internet da rua e puder escrever sem pressa a qualidade dos posts deve melhorar…

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Baqueado

A continuar nesta batida, não sei por quanto tempo ainda vou conseguir dar conta de tocar a minha vida e muito menos este blog. Temo que ele vá escasseando até parar de vez…

Como passei a noite sem dormir, estou em completo estado de exaustão e, assim, se fizeram sentir os efeitos sobre este meu coração arrítmico. Resultado: estou me sentindo bem mal, com falta de ar, tontura e os arranques que surgem quando ele bate acelerado e sem ritmo, fora o peso sobre o peito.

Aqui numa lan house de shopping, especulo sobre ir ou não tentar uma consulta emergencial no meu cardiologista, bem perto. Tô começando a ficar com medo. Ainda bem que o Bolt está sob cuidados que não os meus. Até breve.

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Dinheiro novo

Feliz no jogo, infeliz no amor. Considerando que fui a vencedora na última vez que joguei Banco Imobiliário e que acertei três dezenas no mesmo cartão da Megasena semana passada, acho que estou passando perto. Que bom. Não faz diminuir a dor de uma separação, mas pode ajudar a consolar se, de um dia para a noite, eu ficar milionária.

Preciso, afinal, aproveitar essa maré de sorte (sorte?) para algum proveito. Primeiro vem o coração despedaçado e, quando ele acontece, você mal se lembra de que, sim, chegou a hora de aumentar o número de apostas. Não sou do tipo que desdenha dos ditos populares e penso que eles têm algum fundo de verdade. Se minhas suspeitas estiverem certas, em breve haverá um reforço de caixa na minha conta. Se ele for proporcional ao tamanho do estrago, nunca mais vou precisar trabalhar de novo.

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Só um oi

Se tudo der certo, na próxima sexta já estarei, tecnicamente, em casa e talvez em condições de postar alguma receita – rezemos.

Desde aproximadamente dia 6 ou 7 de janeiro não encosto o umbigo no fogão, nenhum fogão. Primeiro porque fui para uma casa velha sem nada dentro, depois porque fui para um quitinete com uma cozinha de meio metro quadrado e um fogãozinho de duas bocas – com forno!

Só que meu amor pela culinária me impede de aviltar assim qualquer iniciativa. Desta forma, faço uma refeição na rua e a outra improviso na base do lanchinho. Ainda estou de pé. Não vejo a hora de poder estrear meu fogão de embutir na minha cozinha nova com uma receita especial, a qual será devidamente inserida aqui, em alguma sexta vindoura.

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Quase carnaval

Quando é quase carnaval, quem curte a festa não pensa em outra coisa: planeja a fantasia, o roteiro e há mesmo quem rompa um relacionamento pensando em aproveitar os quatro dias solto no mundo para, só depois, reatar.

Quem tem este espírito festivo, apenas camuflado nas outras 50 semanas do ano, não deve nem conseguir ficar triste com outros acontecimentos dramáticos e alheios, como prédios que desabam misteriosamente no Centro do Rio. É compreensível e não sei em que medida entrar numa vibe apocalíptica, como eu mesma entro frequentemente aqui nos posts, ajuda alguma coisa. Claro que não ajuda nada, a não ser que você aproveite a oportunidade para rezar pelas vítimas.

Mas, e quem não dá a mínima para o carnaval? Como se sente na iminência dos feriados? Planeja filmes, viagens de retiro, a arrumação definitiva dos armários há muito abandonados? Se tranca num quarto com algum gostosão ou alguma gostosona, ou vários ao mesmo tempo? Estranho como nós somos tão dissonantes, tão discrepantes e surpreendentes. Vão pensando no assunto, porque fevereiro está chegando.

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Igual partida de futebol

Uma obra só acaba quando termina. Até lá, há que ter perna, há que ter fôlego, saúde, perseverança. Não sei se é possível que alguém perca numa situação dessas. Só sei que não haverá prêmio no fim do jogo. Em si, é ele o que mais conta.

Espero que eu saia deste processo como uma pessoa melhor. Todo dia há imprevistos, há catimba por parte dos prestadores de serviço em geral, é como se todo mundo buscasse aumentar o valor do seu passe o tempo todo, mesmo sem ter sequer entrado em campo.

E eu me sinto uma única mulher num time, jogando contra bem mais do que onze homens em campo. Nunca mais me meto numa dessas.

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Aceleração

Vindo para cá, e depois de atravessar várias ruas, no sinal aberto para os pedestres, em vez de correndo na frente dos carros aleatoriamente, como às vezes se costuma fazer no Rio, cheguei a uma conclusão estarrecedora: os tempos de travessia estão mais curtos. Não sou tão velha a ponto de ter que correr para atravessar uma rua, mas em todas as que passei agora, sem exceção, meu passo usual não foi suficiente. Teria eu ficado mais cansada? Teria eu envelhecido 40 anos numa noite? Seria o calor escaldante drenando minhas forças? Perguntas difíceis de responder.

Se for isso mesmo que estou pensando – tempos de travessia mais curtos eletronicamente programados para dar mais velocidade ao fluxo dos veículos – e, indiretamente, maquiar um dos graves problemas urbanos, com o prejuízo dos transeuntes, socialmente mais fracos, é mais uma covardia governamental, sutil e discreta.

Quanto a mim, estou na mesma. Ora melhor, ora pior. Ora mais esperançosa (ou alienada), ora mais triste. Gente, como eu queria estar longe desses dias, senão no espaço, pelo menos no tempo. Em algum lugar do futuro estava bom.

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