Boas coisas

Ultimamente parece que meus posts começam todos iguais. Eu digo: não sei se já comentei aqui no QS, blá-blá-blá… Tive que me segurar para não escrever assim de novo. Mas percebi a tempo!!! ok, o fato é que não sei mesmo se contei que Bolt anda com uma “coceiragem” danada (como costumo dizer a ele e, para vocês que não sabem, é uma palavrinha nossa que quer dizer coceira intensa). Ataca muito ao redor da boca e ele coça até sangrar. Agora me lembro: descrevi isso num e-mail para o doutor dele, que tinha estado aqui em casa há menos de um mês por outro motivo (uma verruga na orelha direita, já contei?) e gentilmente receitou ontem comprimidos de Fenergan também por e-mail – ele é um amigão querido.

Como hoje eu também ia ao médico depois do trabalho (sim, queridos, depois falamos a respeito) e sabia que ele ia ficar só mais tempo do que de costume, decidi agilizar tudo antes de sair, às 7h30 da manhã.

Aconteceu o que mais teme um dono amoroso de cachorro como eu, acordamos e estava cho-ven-do, que merda! como sair com o cão? Meu Bô não faz nem um nem dois em casa, por mais que eu suplique. Quando a chuva estiou um pouquinho, desci com ele de sapato – eu estava de chinelo e short sem casaco mesmo – mas já para atravessar a rua e alcançar a marquise do outro lado estávamos molhados. Andamos o que a cobertura permitiu, ele fez um xixi ou outro, e na volta vi que estavam abrindo a farmácia que fica bem do lado.

Acho que ela é a gerente. De qualquer maneira, embora não saibamos o nome uma da outra, somos mutuamente simpáticas. Dei bom dia e fui logo explicando que, embora não pudesse entrar na farmácia com Bô, estava precisando de um remédio humano pra ele, contra alergias. Ela me disse que abririam em cinco minutos e, dali a pouco, já me trazia o original e o genérico na porta, pegando o dinheiro e trazendo em seguida o troco, um amor.

É uma sensação muito gostosa saber que tem gente solidária, prestativa, gentil, amorosa no mundo. Eu tenho a impressão de que não estou tão sozinha. Embora quem me conhece sabe que eu nunca estive tão sozinha na vida. Sei que preciso de proteção, de um bom companheiro, e não estou falando do Bolt. Todo mundo tem um anjo da guarda só. Pois eu acho que devo estar com um grupamento inteiro destacado só pra mim. Os riscos lá fora são tantos que prefiro nem pensar, se não eu piro. Paciência. Um dia tudo isso vai mudar, pra melhor, eu sei, vai mudar.

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Leitura em voz alta

Pode ser que eu já tenha comentado isso aqui, pode ser que não. Mas, vamos lá. Sei que já contei a vocês sobre o meu hábito de leitura religiosa antes de dormir. Vale mais ou menos como aquela velha oração que diz: “(…) se eu morrer antes de acordar, peço ao Senhor para a minh’alma guardar”. É o Minutos de Sabedoria e, atualmente, o Novo Testamento -  um dos quatro apóstolos evangelistas – o que eu costumo ler.

Só que, dependendo do dia, eu leio em voz alta. Leio com voz firme, compassada, tomando cuidado para não gaguejar, como se estivesse diante de uma assembleia, sabe-se lá por quê. A sensação é de que tem mais alguém além do Bolt no recinto, o meu quarto. Como se, através de mim, algumas alminhas pudessem ouvir uma palavra de conforto. Não sinto medo algum e, quando termino, me vem aquele bem-estar do dever cumprido. Por que em alguns dias tenho essa necessidade e em outros não, apenas faço uma leitura silenciosa, não sei.

Para ser sincera, espero que, sim, haja mais alguém por perto, e que, ao fazer esta ponte com o Alto, a beneficiada não seja só eu. Se pela minha fé eu puder ajudar mais alguém, que felicidade grande!

Sob o ponto de vista tecnológico, somente agora estamos começando, graças ao mundo digital, a nos conectar permanentemente uns com os outros. Mas é bem provável que, em algum momento, não venhamos a precisar mais de dispositivos tão materiais (risos) quanto o celular e a internet. Sim, não sou a primeira a dizer isso. Não, eu não estou maluca. Nem tenho 50 anos e quando ouvi pela primeira vez falar em computador, há uns 35, nem de longe sonharia com o que existe agora.

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Contato visual zero

Dia desses, passeando com Bô, encontramos uma amiga dele, a Diana, que é uma pointer inglesa, quase na saída do Parque do Flamengo. Embora eu não costume deixá-lo solto naquela área, dada a proximidade das pistas da Praia do Flamengo, resolvi arriscar, imaginando que ele ia correr direto na direção dela.

Enquanto os dois davam um corridão – o bom é que correm sempre em círculo e,  portanto, não se afastaram de onde estávamos, eu e o dono da Diana – troquei umas poucas frases com ele. Confesso que saí dali achando o sujeito bem estranho. É que nunca antes eu tinha percebido como ele não olha para a pessoa com quem está falando. Simplesmente não faz contato visual. Ele não estava vigiando a cadela, ele não conseguia olhar para mim. O resto da família não é esquisito, conheço de vista a mulher e o filho adolescente dele. As informações que me contou sobre a Diana foram banais e, portanto, nada do que ele tivesse que se envergonhar e que justificasse o comportamento. Eu não conseguiria, por exemplo, trabalhar com um sujeito desses. Timidez tem limite.

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Voando longe

O que eu estava fazendo antes de acessar o QS? Estive numa missa. Meu pai teria completado hoje 75 anos, se não tivesse morrido aos 70, e gosto de pensar que, nesse dia em especial, dão a ele algum tipo de passe para que possa se conectar com quem ele ama. Sendo assim, o melhor lugar para comemorar seu aniversário – e até cantamos parabéns na igreja para os aniversariantes do dia! – era na casa de Deus.

Deu tempo de, umas duas horas antes da missa das 17h, ir colocar o nome dele na lista que foi lida antes da celebração começar. Daqui a duas semanas será a vez da minha mãe. Daqui a pouco irei à casa de uma amiga, que também faz anos hoje. Então, não há motivo para ficar triste. Mas… êta saudade!

Lá na igreja, em que houve até coroação de Nossa Senhora, com chuva de pétalas de flores, executada por uma criançada danada (alguns até com asinhas de anjo…), teve uma hora em que pensei o seguinte: deve ser bonito alguém escrever uma oração. Todo mundo deveria ter essa incumbência. Em alguma altura da vida, em ação de graças ou num momento de grande desespero, a gente deveria simplesmente se lembrar de sentar, acalmar o coração e ser capaz de escolher as palavras para conversar da melhor maneira que pudesse com o Todo Poderoso. Imaginem como ia ter coisas lindas!

Sim, eu sou dessas que pensam que a gente fala com Ele o tempo todo, principalmente quando está rezando, mas aí rola um certo improviso. A oração não. A oração ia ser por escrito, caprichada, para ficar para a posteridade. Aí me peguei me imaginando como seria a minha… E se, no céu, no dia do juízo, haverá tempo para a leitura desses textos. Gente, como eu sou enjoada. Tudo que eu penso acaba se resumindo aos termos da comunicação escrita. O que posso fazer? Parece que é por aí que troco impressões com o mundo. É o meu equivalente ao faro do Bolt, um verdadeiro instinto. Perdão.

Se esse assunto não me abandonar e eu acabar me sentando e escrevendo a minha oração, coloco aqui para vocês verem e, quem sabe, se inspirarem. Vai ver que quando dizem que o ser humano está precisando de mais oração não é das fórmulas prontas, mas sim destas, de autoria própria, que lá em cima eles estão falando.

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Mais uma receita de Bolo de Banana

Esqueci quem me deu esta receita, mas ela é muito gostosa. A outra de bolo de banana cadastrei em 11 de junho do ano passado, podem procurar aqui no blog. Acho que ainda tenho uma terceira, em que as bananas são cortadas em rodelinhas, mas não sei se vou conseguir encontrar…

Ingredientes: 3 bananas prata amassadas, 3 ovos, 3 xícaras de açúcar, 3 xícaras de farinha de trigo, 100 g de manteiga, 1 colher de sopa rasa de bicarbonato de sódio. Bater a manteiga com o açúcar e as gemas. Acrescentar as claras batidas em neve, as bananas amassadas, o bicarbonato e a farinha. Colocar em forma untada e polvilhada com farinha de trigo. Assar em forno brando. Quem gostar pode polvilhar, depois de assado, com uma mistura de açúcar e canela em pó.

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Vapores etílicos

Nos últimos 10 anos, circulei pela cidade do Rio de Janeiro praticamente só de metrô. Meu emprego anterior permitia isso. Atualmente tenho precisado pegar ônibus e, embora o trecho seja curto, “coletivo é coletivo”. A clientela difere um bocado e mesmo o ar que se respira, a paisagem, fazem tudo mudar.

Não faz muitas horas, sentou-se do meu lado num desses ônibus um homem com uma média de idade próxima da minha, entre 40 e 50 anos, e bem provável ele e eu somos da mesma classe “econômica”: upload de pobre. Ele até fez uma coisa que eu não consigo, porque fico enjoada: abriu o jornal de hoje (o mesmo que leio, quando leio, O Globo) e começou a ler, em movimento. No metrô eu posso ler, mas é uma linha reta, apesar das freadas bruscas cada vez mais frequentes…

Foi outro, no entanto, o motivo que me deixou nauseada: os vapores etílicos que ele exalava. Não sei se vocês sabem, mas quando uma pessoa bebe muito e, pior, com regularidade, o odor do suor se altera e ela passa a ter um suor característico, bastante desagradável. Senti por ele. Não são todas as pessoas que bebem que ficam assim no dia seguinte, tem gente que não fica. Meu pai, por exemplo, não ficava. Acho que depende do metabolismo de cada um.

Interessante como o cheiro da gente muda de acordo com aquilo que “colocamos para dentro”, comendo ou bebendo. Tive um namorado que tinha um dia certo na semana para uma feijoadinha com a turma do trabalho. À noite, quando nos encontrávamos, era certo que sua digestão tivesse sido difícil e, claro, era inevitável um certo mau hálito, mas eu nunca reclamei: cada um tem o direito de ser feliz do seu jeito. Consolava saber que, pelo menos esse incômodo - provavelmente outros – eu não posso oferecer a ninguém, uma vez que sou vegetariana e couve-flor só cheira estranho enquanto está cozinhando…

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Fugir pra longe

Quem acompanha o QS desde o início pode lembrar que, antigamente, eu postava uns textos malucos, totalmente ficção, umas fotos produzidas, para onde é que foi tudo isso?

No momento, me sinto como a lagarta no casulo (mas é um casulo todo bonito, depois da reforma!), se remexendo internamente para ver se cria asas coloridas e consegue voar. O problema é que ninguém faz nada sozinho. Acho que preciso de alguém para trocar impressões de texto (quero escrever um musical) e imagem (quero fazer tirinhas) pra ver se me animo. Ou, quem sabe, preciso de um muso?

De qualquer forma, tá meio tédio o tripé  tv a cabo / internet / livros. Por melhores que eles sejam. Se alguém perguntar do que se alimenta uma lagarta, vocês já sabem dizer.

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Sempre tem alguém melhor

Como todo mundo, tive vários dentistas ao longo da vida, mas espero que agora tenha encontrado o definitivo, porque o Dr.Ricardo é realmente muito bom. Engraçado é que ele me foi recomendado pela minha amiga Doris, 83 anos, que foi minha professora de alemão e é uma segunda mãe, como já contei antes. Ela me pediu o telefone do meu dentista e lhe dei, fazendo a ressalva de que não achava ele lá essas coisas, era meio ríspido, e foi recomendado pela minha amiga síndica aqui no prédio. Acaba que a Doris voltou pro Dr.Ricardo (não imagino por quê teria saído) e aí foi a minha vez de pedir o telefone dele.

Todo esse preâmbulo para contar o seguinte. Eu tinha dois dentes que me incomodavam permanentemente. Em ambos feito canal, sendo que o de trás tinha um bloco que ficou meio distante do dente da frente e a inflamação na gengiva entre os dois era crônica. O da frente parecia permanentemente inflamado, embora não tivesse nervo algum. Meu dentista ríspido disse que não havia nada a fazer. Quando procurei o Dr.Ricardo, desconfiada do diagnóstico do Dr.Ríspido de que há anos eu não tinha nenhuma cárie, ele me felicitou, era isso mesmo, mas ele queria tentar refazer o canal do dente da frente e um novo bloco pro dente de trás, de forma a cobrir e proteger a gengiva.

AInda não terminamos nenhum dos dois, mas posso dizer pra vocês que a dor e o incômodo que me acompanhavam anos e anos já desapareceram! Milagre? Não. Apenas competência. Não se conformem quando alguém disser pra vocês que não dá, que já chegou no limite, que aquilo ali é o melhor que vocês podem conseguir. Se houver algo errado na sua vida, busque solução. Não bata de frente, apenas recolha seus pertences e vá à procura de quem possa atender. Sempre tem alguém que pode, alguém que é o certo. Relaxe e deixe que ele encontre você.

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Dois filmes bons

Foi por um acaso que caí zapeando nesses filmes. O Stardust, o Mistério da Estrela (Matthew Vaughn, 2007), um conto de fadas bem inventivo e com um elenco maravilhoso (Michelle Pfeiffer, Peter O’Toole e De Niro, fora os protagonistas Charlie Cox e Claire Danes) e o Lendas da Vida (Robert Redford, 2000) com Matt Damon, Will Smith e Charlize Theron. Ambos inspiradores.

No primeiro, existe uma leveza, com uma mensagem que insiste o tempo todo dizendo: relaxa que vai dar tudo certo. A boa estrela é mais do que a mocinha do filme, ela perpassa todas as aventuras com uma guinada de sorte no último minuto, coisa em que a gente deveria acreditar e confiar mais amiúde. Além do mais, De Niro como um capitão gay de navio pirata voador (pescam raios para vender) é o que há.

No segundo, que peguei pela metade, mas como amo o Damon (logo depois do Depp…) fiquei, trata-se de um caddy (Smith) que faz autoajuda relâmpago, um trabalho motivacional num jogador de golfe que disputa um campeonato concorridíssimo nos EUA dos anos 1930. No fim, a cidade inteira já está acompanhando a pé o percurso de vários dias em tacadas pelo gramado. Mas as coisas que esse homem sábio fala são, como as do filme acima, altamente inspiradoras. Ele manda, por exemplo, o sujeito parar de maltratar a bola com os tacos e passar a sentir o campo e a harmonia que existe entre o espaço e a tacada certa, e tudo o mais que há na natureza, e a rotação da Terra, ou seja, a perfeição. Mais uma vez, o discurso nos acalma, nos faz sossegar a alma, ambos são de uma poesia muito bonita.

Infelizmente perdi o fim do filme ontem à noite porque, quase 22h, quando a chuva finalmente deu uma trégua, achei por bem descer com meu melhor amigo, que precisava fazer xixi. Peguei os últimos 3 minutos, por isso sei que houve um final feliz.

Na manhã de hoje, aguardamos Bô e eu pela interrupção das pancadas de chuva, aguardam em vão as folhas de jornal no banheiro, porque ele não está pensando em ir urinar lá, e eu continuo de olho na janela, esperando uma folguinha. Mas estamos encarando a chuva com otimismo e a fazendo sentir benvinda. Porque, como diz Russo: “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã”. Bom Dia do Trabalho para todos!

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Roteirista sutil

Quem está acostumado a navegar aqui pelo QS sabe que Roteirista é um apelido que adotei para Deus. Já ouvi falar e concordo que Ele mora nos detalhes e adora provocar coincidenciazinhas em que nem todo mundo repara. Neste caso, a piada está escancarada no nome do personagem.

Porque ele se chama Carlinhos Cachoeira. E uma cachoeira passa a ideia da água que se movimenta e sai carregando tudo o que vê pela frente. Tomara que seja isso mesmo. Tomara que pelo menos as articulações dele venham a furo, saiam à luz, e permitam que alguns poderosos paguem pelo menos a primeira parcela das suas infindáveis dívidas com a sociedade brasileira. Não é a única rede de corrupção em Brasília, obviamente, e nem a capital federal tem a exclusividade das teias criminosas. Mas todas, por menores que sejam, e essa não tem nada de pequena, precisam ser expostas e combatidas pela força da lei.

Nem todos os leitores do QS devem achar que faz algum sentido, mas talvez se lembrem de que, no início do ano, foi identificada uma trilogia de orixás que iria reger 2012: Xangô (Justiça), Oxum e Oxalá. Acreditemos ou não, nos resta esperar que, sim, 2012 seja um ano em que mais justiça seja feita.

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