Vindo para cá, e depois de atravessar várias ruas, no sinal aberto para os pedestres, em vez de correndo na frente dos carros aleatoriamente, como às vezes se costuma fazer no Rio, cheguei a uma conclusão estarrecedora: os tempos de travessia estão mais curtos. Não sou tão velha a ponto de ter que correr para atravessar uma rua, mas em todas as que passei agora, sem exceção, meu passo usual não foi suficiente. Teria eu ficado mais cansada? Teria eu envelhecido 40 anos numa noite? Seria o calor escaldante drenando minhas forças? Perguntas difíceis de responder.
Se for isso mesmo que estou pensando – tempos de travessia mais curtos eletronicamente programados para dar mais velocidade ao fluxo dos veículos – e, indiretamente, maquiar um dos graves problemas urbanos, com o prejuízo dos transeuntes, socialmente mais fracos, é mais uma covardia governamental, sutil e discreta.
Quanto a mim, estou na mesma. Ora melhor, ora pior. Ora mais esperançosa (ou alienada), ora mais triste. Gente, como eu queria estar longe desses dias, senão no espaço, pelo menos no tempo. Em algum lugar do futuro estava bom.


