Dinheiro novo

Feliz no jogo, infeliz no amor. Considerando que fui a vencedora na última vez que joguei Banco Imobiliário e que acertei três dezenas no mesmo cartão da Megasena semana passada, acho que estou passando perto. Que bom. Não faz diminuir a dor de uma separação, mas pode ajudar a consolar se, de um dia para a noite, eu ficar milionária.

Preciso, afinal, aproveitar essa maré de sorte (sorte?) para algum proveito. Primeiro vem o coração despedaçado e, quando ele acontece, você mal se lembra de que, sim, chegou a hora de aumentar o número de apostas. Não sou do tipo que desdenha dos ditos populares e penso que eles têm algum fundo de verdade. Se minhas suspeitas estiverem certas, em breve haverá um reforço de caixa na minha conta. Se ele for proporcional ao tamanho do estrago, nunca mais vou precisar trabalhar de novo.

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Só um oi

Se tudo der certo, na próxima sexta já estarei, tecnicamente, em casa e talvez em condições de postar alguma receita – rezemos.

Desde aproximadamente dia 6 ou 7 de janeiro não encosto o umbigo no fogão, nenhum fogão. Primeiro porque fui para uma casa velha sem nada dentro, depois porque fui para um quitinete com uma cozinha de meio metro quadrado e um fogãozinho de duas bocas – com forno!

Só que meu amor pela culinária me impede de aviltar assim qualquer iniciativa. Desta forma, faço uma refeição na rua e a outra improviso na base do lanchinho. Ainda estou de pé. Não vejo a hora de poder estrear meu fogão de embutir na minha cozinha nova com uma receita especial, a qual será devidamente inserida aqui, em alguma sexta vindoura.

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Quase carnaval

Quando é quase carnaval, quem curte a festa não pensa em outra coisa: planeja a fantasia, o roteiro e há mesmo quem rompa um relacionamento pensando em aproveitar os quatro dias solto no mundo para, só depois, reatar.

Quem tem este espírito festivo, apenas camuflado nas outras 50 semanas do ano, não deve nem conseguir ficar triste com outros acontecimentos dramáticos e alheios, como prédios que desabam misteriosamente no Centro do Rio. É compreensível e não sei em que medida entrar numa vibe apocalíptica, como eu mesma entro frequentemente aqui nos posts, ajuda alguma coisa. Claro que não ajuda nada, a não ser que você aproveite a oportunidade para rezar pelas vítimas.

Mas, e quem não dá a mínima para o carnaval? Como se sente na iminência dos feriados? Planeja filmes, viagens de retiro, a arrumação definitiva dos armários há muito abandonados? Se tranca num quarto com algum gostosão ou alguma gostosona, ou vários ao mesmo tempo? Estranho como nós somos tão dissonantes, tão discrepantes e surpreendentes. Vão pensando no assunto, porque fevereiro está chegando.

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Igual partida de futebol

Uma obra só acaba quando termina. Até lá, há que ter perna, há que ter fôlego, saúde, perseverança. Não sei se é possível que alguém perca numa situação dessas. Só sei que não haverá prêmio no fim do jogo. Em si, é ele o que mais conta.

Espero que eu saia deste processo como uma pessoa melhor. Todo dia há imprevistos, há catimba por parte dos prestadores de serviço em geral, é como se todo mundo buscasse aumentar o valor do seu passe o tempo todo, mesmo sem ter sequer entrado em campo.

E eu me sinto uma única mulher num time, jogando contra bem mais do que onze homens em campo. Nunca mais me meto numa dessas.

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Aceleração

Vindo para cá, e depois de atravessar várias ruas, no sinal aberto para os pedestres, em vez de correndo na frente dos carros aleatoriamente, como às vezes se costuma fazer no Rio, cheguei a uma conclusão estarrecedora: os tempos de travessia estão mais curtos. Não sou tão velha a ponto de ter que correr para atravessar uma rua, mas em todas as que passei agora, sem exceção, meu passo usual não foi suficiente. Teria eu ficado mais cansada? Teria eu envelhecido 40 anos numa noite? Seria o calor escaldante drenando minhas forças? Perguntas difíceis de responder.

Se for isso mesmo que estou pensando – tempos de travessia mais curtos eletronicamente programados para dar mais velocidade ao fluxo dos veículos – e, indiretamente, maquiar um dos graves problemas urbanos, com o prejuízo dos transeuntes, socialmente mais fracos, é mais uma covardia governamental, sutil e discreta.

Quanto a mim, estou na mesma. Ora melhor, ora pior. Ora mais esperançosa (ou alienada), ora mais triste. Gente, como eu queria estar longe desses dias, senão no espaço, pelo menos no tempo. Em algum lugar do futuro estava bom.

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Sem volta

É muito ruim a sensação de precisar ficar fora de casa, como agora, no caso da obra no meu apê. Mas acho que aguento mais uma semana para ter, pelo menos, o meu quarto de volta. Pelo resto do espaço habitável acho que ainda vou ter que esperar, no mínimo, duas semanas além desta.

No caminho para cá – hoje eu vim pensando no que ia escrever e meio que tive tempo de me preparar – cheguei a uma conclusão muito triste, no que diz respeito a esse assunto: na verdade, não vou ter que esperar só mais uma semana para poder voltar para casa. Porque casa, de verdade, eu não tenho. Sou dona de um imóvel bacaninha, mas casa é onde a gente se sente feliz, amado, acolhido, em paz. Como me sentir assim se, tirando o Bolt, estou sozinha? Não posso voltar para o meu lar porque não tenho um e, se ainda quiser ter nesta vida, preciso começar tudo de novo. Jorge foi minha família nos últimos dois anos e meio mas, sem que eu pudesse controlar os acontecimentos, de repente tudo isso desapareceu no ar, como se nunca tivesse existido. Posso em breve ter para onde, mas não tenho para o quê voltar.

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Sonho do Bo

Embora eu não faça ideia de com quem ele estava sonhando, hoje à tarde Bolt, dormindo ao meu lado no sofá, de repente começou a abanar a cauda – na verdade, aquela bolinha redonda pompom de poodle – para alguém de quem ele gosta muito. Ele estava deitado praticamente numa posição fetal de cachorro, todo enroladinho, e com os olhos semiabertos, quando o cotoco passou a se mexer bem depressa. O que eu não daria para saber com quem ou o quê ele estava sonhando. Parecia tão feliz!

Como é que ainda tem gente no mundo capaz de fazer mal a qualquer animal? Eu não entendo mesmo.

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O travesseiro

Tirando meu cão, que todos conhecem, quem tem me feito companhia esses dias é um ser inanimado, um travesseirinho desses de neném, que não mede mais do que 20 X 30 cm. Está sem capa, que espero tenha deixado com a roupa lavada na confusão de coisas guardadas da casa em obras. A tal capa tem uma carinha de anjo da guarda e a oração dele: “santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou, a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina, amém.” Espero que a prece funcione mesmo sem ela, porque nunca antes precisei tanto de cobertura do Alto.

Eu já comprei vários desses travesseiros, mas sempre pra presentear algum bebê. Este foi herança da minha falecida mãe que, em algum momento depois da morte do meu pai, apareceu com o travesseiro sobre a cama arrumada – ela se desfez da de casal e passou para uma de solteiro nesta fase da vida.

O ser humano é um animal de representações e sentidos. Como é que pode um pedaço fino de espuma com um forro de chita azul ter tanto significado para mim? Minha racionalidade não entende isso, mas o meu coração sim.

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Sem noção

Todo dia, ultimamente, só vou pensar no que escrever aqui quando estou diante do monitor. Nunca sei quando vou conseguir tempo para o cibercafé, para minha vida virtual, que considero em fase bastante embrionária, uma vez que não faço parte de nenhuma rede social. Daí este texto com função de metalinguagem, usado para falar de si mesmo, o que considero sempre uma certa falta de imaginação.

Ontem teve blackout nos grandes da rede – google, wikipedia… – num protesto contra uma possível censura oficial do governo norteamericano, a pretexto de combate à pirataria e pela defesa de direitos autorais. Estava demorando. Vamos ser otimistas para não ter que dizer aquele velho “foi bom enquanto durou”.

Em tempos de mais autoritarismo, acho que nem este inofensivo blog teria escapado da perseguição contra a liberdade de expressão. Enquanto isso, mídias mais ricas e bem estabelecidas, que desde sempre servem aos poderosos do mundo (vocês sabem que estou falando da televisão e seus derivados a cabo, por assinatura, digital…) abusam em deseducar e alienar quem se presta a assistir, o que não é o meu caso, que praticamente só vejo, com olhos críticos, os telejornais. O que dizer desse BBB12 e do sexo não consentido que ninguém sabe dizer se aconteceu? Por favor, poupem meus neurônios, vou precisar deles, caso chegue à velhice.

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Pesadelos acordados

Era de se esperar que nós estivéssemos dormindo mal esses dias. Pudera! Já analisaram minimamente como andam os noticiários? Crime por magia negra, chacina em família e até uma reedição de naufrágio light do Titanic, tudo isso só nas primeiras semanas de 2012.

Quando os maias disseram que este ano traria o fim do mundo, talvez eles não estivessem prevendo nenhum cataclisma único, com data marcada, embora se mencione lá um dia de dezembro para isso. E se o apocalipse estiver vindo à prestação? Já viram a situação da economia na Europa? Quem sabe um pouquinho de história associa bem depressa recessão econômica e guerras mundiais.

Por hora, não vou perder muito tempo com isso. Até porque tenho meus embates pessoais para resolver, dos quais, se eu mesma não cuidar, mais ninguém cuida.

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