Caloréu

Tenho tido a cruel necessidade de circular muito pela cidade e, assim, neste altíssimo verão, sigo me flagelando nesta caloreira infernal. Ficar sob o sol faz doer a pele. Nenhuma água é suficiente para saciar uma sede purgatorial. A julgar pelos passantes, nunca se vendeu tanta garrafinha d’água quanto agora.

Sim, eu sei que é bonito e impressionante. Aliás, desde que assisti, alguns domingos atrás às duas partes da entrevista de Roberto D’Ávila com o cientista Silvio Meira na tevê, não me sai da cabeça o que ele disse sobre aproveitamento da energia solar pra valer.

Por enquanto, ela parece só estar servindo mesmo para cozer a gente vivo na calçada ou, pior, dentro de um vagão. Voltando do subúrbio na linha 2 poucas horas atrás, pude sentir de novo o tanto de discriminação nazista que a concessionária destina a esse grupo de usuários. Com boa parte do trecho não subterrânea, o ar refrigerado só foi ligado ao chegarmos à estação Central, que é onde começa, para aqueles sádicos, o contato com a civilidade. Ainda bem que meu anjo da guarda estava de plantão e, mais cedo, lembrei de levar comigo o leque.

Publicado em Geral | Com a tag | Deixar um comentário

Na companhia de uma árvore

Pode ser impressão minha, mas uma grande história sempre tem algum momento em que a “intervenção” de uma árvore faz toda a diferença para o desenrolar do enredo. Neste momento do meu enredo particular, um destes exemplares verdulentos está logo aqui ao lado, “de plantão”. Seu nome é Miranda.

Meu apartamento, da coluna 01, fica bem na ponta do prédio e faz fronteira com um jardim hollywoodiano do prédio à esquerda da janela do meu quarto. Esse jardim, que tem uma fonte e tudo, só que eu nunca vi ligada, é ladeado por duas árvores cuja espécie não sei identificar, mas são bem altas, a ponto da minha Miranda estar praticamente na altura do quinto andar (na verdade, quarto, porque o primeiro é o térreo).

Está claro que não pretendo empreender nenhuma fuga em meio aos seus galhos até a rua lá embaixo, em caso de impedimento de sair pelas portas até o corredor, nem tampouco vou construir algum tipo de casa na árvore. Mas, de certa forma, ela me serve, sim, de abrigo. Hospeda em si tanta vida em forma de insetos, pássaros e morceguinhos, cujas serenatas guinchadas no meio da noite me parecem tão musicais quanto o canto de seus colegas voadores de penas.

Anos atrás, me assustei quando praticamente fecharam a rua porque estava na hora da poda das árvores. Temi que fossem derrubá-las. Mas não, retiraram todos os galhos, e lentamente, no topo do tronco, a galhada foi enchendo novamente. Daí o nome dela, dado por minha mãe, porque ela ficou parecendo, durante algum tempo, com aqueles chapéus meio cilíndricos da cantora.

Embora nunca tenha tocado nela nem a tenha abraçado, declaro meu amor em ondas mentais, ao que ela me responde, artista que é, com uma malemolente dançadinha. Acho que já é hora de batizar sua irmã de Carmem e passar a lhe dar também alguma atenção.

Sei que o amor assume muitas formas neste mundo e que a natureza é um dos mais puros e generosos com os quais o Roteirista nos presenteia, indistinta e permanentemente. Neste momento da vida, em que a solidão se confunde num vazio de falta de amor, penso que é saudável eu me voltar para esse amor silencioso, que não faz alarde e está em todo canto, e que nunca vai virar as costas para mim nem para ninguém.

Publicado em Geral | Com a tag , , | Deixar um comentário

Na sequência

Depois que saí daqui ontem, me dirigi a uma loja da rede de construção que diz que nada “tem segredo” – pelo menos na musiquinha do anúncio. Misteriosamente, descobri que os rodapés, que não me foram vendidos na segunda-feira junto com mais um monte de material, não precisariam ser encomendados coisa nenhuma. Havia 135 ripas de 2,40m no estoque, isso quando eu só precisava de 17. Parece que eles descobriram uma nova modalidade de lucro: ganham no frete que, de acordo com a cara do cliente, pelo menos ali, pelo que vi, pode variar entre R$ 70 e R$ 90. Alguém, por favor, chame a polícia.

Publicado em Geral | Deixar um comentário

Prestação de serviços

Dentre todos os setores da economia, justamente o da prestação de serviços sempre me pareceu o mais frágil no nosso país. Nestas últimas semanas, às voltas com a reforma do apartamento, tive a oportunidade (???) de vivenciar muitas situações e receber uma alta dosagem deste tipo de veneno. Desde atrasos longos em relação a um horário agendado até a alegação da falta de material que, sim, havia em estoque, para inviabilizar uma venda, teve de tudo na minha vida esses dias. Até a tal da banheira, que depois de 50 dias não havia chegado de Sampa, e acabou vindo daqui mesmo, da Barra da Tijuca, onde esteve o tempo todo, quem sabe tomando um banhozinho de mar…

Coincidentemente ou não, um dos taxistas que me atendeu essa semana era um especialista em treinamento de atendimento ao público, lamentavelmente velho demais para o mercado, e durante toda a corrida viemos conversando a respeito. Sugeri que escrevesse um livro ou que tentasse se estabelecer como consultor.

Se até este ponto do texto você não estiver entendendo bem do que raios eu estou falando, então tente se lembrar da última vez em que precisou falar com algum atendente de telefônica, banco ou cartão de crédito pelo telefone. Daquele tipo que não sabe que não existe diferença entre fabricante e fornecedor. Aqueles pesadelos em vigília que estressam até o mais santo dos monges. E veja se, desta vez, eu não tenho um tiquinho de razão.

Publicado em Geral | Com a tag , | Deixar um comentário

Balancinho de cinema

Como não posso ficar em casa, ontem e anteontem minha saída foi ir assistir ao que anda em cartaz. Recomendo o novo do Sherlock Holmes, tem ritmo e charme. Mas As aventuras de Tintin eu poderia ter deixado passar. Creio que Spielberg deva ter algum laço afetivo com o personagem, o que justificaria o investimento para a produção do filme. O enredo é pueril e chega a ser de um anacronismo flagrante, o que faz contraponto com a tecnologia de animação utilizada. O que eu quero dizer é que a história é bobinha para a modernidade e o Tintin, de tão perfeito, me fez lembrar o chato do Mickey Mouse.

Mas me deixem confessar também minha ignorância: a vida inteira eu acreditei que Tintin fosse o cachorro (tinha outro Tintin na tv). E olha que, por vezes, é ele, sim, quem parece o protagonista. Desculpem, fãs, mas não irei assistir à continuação, insinuada na cena final.

Publicado em Geral | Com a tag , , | Deixar um comentário

Adiante

Estou no mesmo cibercafé de ontem e isso significa que melhorei, graças ao Roteirista. Embora tenha dormido pouco esta noite, já deu para recarregar um pouco minha reserva de energia. Quando o cansaço bate, o coração fica sobrecarregado e é normal que ele se ressinta. Para piorar, eu esqueci que não posso e bebi um copo de Coca Cola, que contém cafeína e é danoso para quem sofre de arritmia. Mas já passou.

Ainda não chegou o meio-dia e também já consegui resolver uma pendência importante da obra lá em casa, que bom! Tudo que é positivo demanda esforço e acho que o caminho é esse mesmo. Desculpem a falta de inspiração. Quando eu já não precisar mais acessar a internet da rua e puder escrever sem pressa a qualidade dos posts deve melhorar…

Publicado em Geral | Deixar um comentário

Baqueado

A continuar nesta batida, não sei por quanto tempo ainda vou conseguir dar conta de tocar a minha vida e muito menos este blog. Temo que ele vá escasseando até parar de vez…

Como passei a noite sem dormir, estou em completo estado de exaustão e, assim, se fizeram sentir os efeitos sobre este meu coração arrítmico. Resultado: estou me sentindo bem mal, com falta de ar, tontura e os arranques que surgem quando ele bate acelerado e sem ritmo, fora o peso sobre o peito.

Aqui numa lan house de shopping, especulo sobre ir ou não tentar uma consulta emergencial no meu cardiologista, bem perto. Tô começando a ficar com medo. Ainda bem que o Bolt está sob cuidados que não os meus. Até breve.

Publicado em Geral | Deixar um comentário

Dinheiro novo

Feliz no jogo, infeliz no amor. Considerando que fui a vencedora na última vez que joguei Banco Imobiliário e que acertei três dezenas no mesmo cartão da Megasena semana passada, acho que estou passando perto. Que bom. Não faz diminuir a dor de uma separação, mas pode ajudar a consolar se, de um dia para a noite, eu ficar milionária.

Preciso, afinal, aproveitar essa maré de sorte (sorte?) para algum proveito. Primeiro vem o coração despedaçado e, quando ele acontece, você mal se lembra de que, sim, chegou a hora de aumentar o número de apostas. Não sou do tipo que desdenha dos ditos populares e penso que eles têm algum fundo de verdade. Se minhas suspeitas estiverem certas, em breve haverá um reforço de caixa na minha conta. Se ele for proporcional ao tamanho do estrago, nunca mais vou precisar trabalhar de novo.

Publicado em Geral | Com a tag , , , , | Deixar um comentário

Só um oi

Se tudo der certo, na próxima sexta já estarei, tecnicamente, em casa e talvez em condições de postar alguma receita – rezemos.

Desde aproximadamente dia 6 ou 7 de janeiro não encosto o umbigo no fogão, nenhum fogão. Primeiro porque fui para uma casa velha sem nada dentro, depois porque fui para um quitinete com uma cozinha de meio metro quadrado e um fogãozinho de duas bocas – com forno!

Só que meu amor pela culinária me impede de aviltar assim qualquer iniciativa. Desta forma, faço uma refeição na rua e a outra improviso na base do lanchinho. Ainda estou de pé. Não vejo a hora de poder estrear meu fogão de embutir na minha cozinha nova com uma receita especial, a qual será devidamente inserida aqui, em alguma sexta vindoura.

Publicado em Geral | Com a tag | Deixar um comentário

Quase carnaval

Quando é quase carnaval, quem curte a festa não pensa em outra coisa: planeja a fantasia, o roteiro e há mesmo quem rompa um relacionamento pensando em aproveitar os quatro dias solto no mundo para, só depois, reatar.

Quem tem este espírito festivo, apenas camuflado nas outras 50 semanas do ano, não deve nem conseguir ficar triste com outros acontecimentos dramáticos e alheios, como prédios que desabam misteriosamente no Centro do Rio. É compreensível e não sei em que medida entrar numa vibe apocalíptica, como eu mesma entro frequentemente aqui nos posts, ajuda alguma coisa. Claro que não ajuda nada, a não ser que você aproveite a oportunidade para rezar pelas vítimas.

Mas, e quem não dá a mínima para o carnaval? Como se sente na iminência dos feriados? Planeja filmes, viagens de retiro, a arrumação definitiva dos armários há muito abandonados? Se tranca num quarto com algum gostosão ou alguma gostosona, ou vários ao mesmo tempo? Estranho como nós somos tão dissonantes, tão discrepantes e surpreendentes. Vão pensando no assunto, porque fevereiro está chegando.

Publicado em Geral | Com a tag | Deixar um comentário