Tenho tido a cruel necessidade de circular muito pela cidade e, assim, neste altíssimo verão, sigo me flagelando nesta caloreira infernal. Ficar sob o sol faz doer a pele. Nenhuma água é suficiente para saciar uma sede purgatorial. A julgar pelos passantes, nunca se vendeu tanta garrafinha d’água quanto agora.
Sim, eu sei que é bonito e impressionante. Aliás, desde que assisti, alguns domingos atrás às duas partes da entrevista de Roberto D’Ávila com o cientista Silvio Meira na tevê, não me sai da cabeça o que ele disse sobre aproveitamento da energia solar pra valer.
Por enquanto, ela parece só estar servindo mesmo para cozer a gente vivo na calçada ou, pior, dentro de um vagão. Voltando do subúrbio na linha 2 poucas horas atrás, pude sentir de novo o tanto de discriminação nazista que a concessionária destina a esse grupo de usuários. Com boa parte do trecho não subterrânea, o ar refrigerado só foi ligado ao chegarmos à estação Central, que é onde começa, para aqueles sádicos, o contato com a civilidade. Ainda bem que meu anjo da guarda estava de plantão e, mais cedo, lembrei de levar comigo o leque.




